GÁLATAS 5 – A Liberdade em Cristo
setembro 2025
Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.
ESTA LIBERDADE ERA UMA LIBERAÇÃO DO PODER E DOMÍNIO DO PECADO QUE OS ESCRAVIZARA PELA LEI
Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.
É a indicação do estado dos gálatas convertidos. É óbvio que tinham adotado pelo menos algumas festas judaicas (cf. 4.9,10) e, no momento, estavam pretendendo submeter-se seriamente à circuncisão. Não há evidências de que os judaizantes, até esse momento, tivessem tentado impor outra parte da lei (e.g., as leis relativas aos alimentos).
2 Ouçam bem o que eu, Paulo, tenho a dizer: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá.
Paulo adverte que se eles permitirem a circuncisão, perderão os benefícios da relação com Cristo.
Lógico que os judaizantes haviam garantido aos gálatas que a fé cristã não seria afetada pela aceitação da lei representada pela circuncisão.
Este ponto Paulo contestou repetidamente no argumento precedente.
3 De novo declaro a todo homem que se deixa circuncidar que ele está obrigado a cumprir toda a Lei.
Paulo lhes dissera isso claramente antes (3.10), mas repete para ser enfático.
3:10 Já os que se apoiam na prática da Lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: “Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei”. 11 É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé”. 12 A Lei não é baseada na fé; ao contrário, “quem praticar estas coisas por elas viverá”. 13 Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”. 14 Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé.
O homem que aceita qualquer parte da lei — neste caso a circuncisão — é obrigado a guardar toda ela. É lógico que os oponentes de Paulo também não deixaram este ponto claro para os gálatas.
4 Vocês, que procuram ser justificados pela Lei, separaram-se de Cristo; caíram da graça.
Nos termos mais fortes possíveis, Paulo declarou as consequências de procurar ser justificados pela lei. Eles perderiam a graça de Deus, porque Cristo não teria mais nada a ver com eles. É IMPORTANTE PERCEBER QUE ESTA PERDA OCORRERA EM VIRTUDE DO FATO DE QUE ELES ABANDONARAM A GRAÇA DE DEUS E NÃO PORQUE DEUS A TIROU.
“os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro” (Hb 6:4-5), podem voltar à antiga vida de pecado.
Ele não transgredirá ou abusará da liberdade humana. Deus não salvará o homem contra a vontade deste, e não o manterá salvo contra sua vontade. Esta é a chave da graça sustentadora. Contanto que o homem deseje, queira e sirva Deus, ele está seguro. Mas quando o homem escolhe voltar à escravidão do pecado e a Satanás, o Deus Todo-poderoso respeita essa decisão.
5 Pois é mediante o Espírito que nós aguardamos pela fé a justiça, que é a nossa esperança.
MEDIANTE O ESPÍRITO: Embora não esteja declarado, os que estão sob a lei vivem por meio da “carne”‘ — sua confiança está na carne e não no Espírito
AGUARDAM: Os homens de fé aguardam (lit., “esperam avidamente“) a esperança da justiça que lhes pertence por fé.
JUSTIÇA: O apóstolo usa a palavra justiça (dikaiosyne) aqui nitidamente no conceito abrangente; INCLUI A JUSTIÇA DA JUSTIFICAÇÃO DE DEUS E A ÉTICA DA VIDA TRANSFORMADA. O próximo versículo e a exortação ética intensiva que se segue indicam, sem dúvida, a ênfase no caráter moral bem como na posição forense.
ESPERANÇA: Em outra carta, Paulo deixa claro que esta esperança é a ressurreição aguardada impacientemente junto com todas as coisas pertinentes à sua promessa.‘
6 Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor[CARIDADE].
Antes, significava que este rito judaico não tinha valor para levar o homem a Cristo. Para a salvação, a incircuncisão não tinha valor algum. Semelhantes distinções deixavam de existir em Cristo.
A verdadeira fé se expressa pelo amor. Esta é a primeira menção de Paulo nesta carta do termo importantíssimo “amor” (agape, caridade).
A FÉ SE EXPRESSA EM AMOR PELO PODER DO ESPÍRITO.
7 Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade? 8 Tal persuasão não provém daquele que os chama[JESUS CRISTO]. 9 “Um pouco de fermento leveda toda a massa.”
A VERDADE É A VERDADE
A VERDADE É ABSOLUTA – NÃO RELATIVA.
No Novo Testamento, a levedura quase sempre representa o mal. O provérbio é equivalente a: “Uma laranja podre contamina todas as outras”.
Onde quer que as pessoas se agrupem, uma minoria mal orientada e turbulenta pode influenciar o grupo todo.
Nosso grande perigo é o mencionado por Jesus: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22:29).
E POR QUE NÃO APLICARMOS O PROVÉRBIO DE MODO POSITIVO? UM POUCO DE FERMENTO ESPIRITUAL LEVEDA TODA A IGREJA, A COMUNIDADE, O PAÍS E O MUNDO.
10 Estou convencido no Senhor de que vocês não pensarão de nenhum outro modo.
Paulo tinha certeza de que, quando recebessem a carta, eles não pensariam diferente dele.
Aquele que os perturba, seja quem for, sofrerá a condenação.
a) Paulo não conhecia seus adversários; ou
b) Seus oponentes seriam julgados fossem eles quem fossem.
11 Irmãos, se ainda estou pregando a circuncisão, por que continuo sendo perseguido? [ agora sendo cristão]
PAULO PREGOU QUANDO NÃO ERA CRISTÃO.
Nesse caso, o escândalo da cruz foi removido.
O escândalo da cruz, entre os judeus, era a negação da circuncisão.
PAULO ESTAVA NEGANDO A CIRCUNCISÃO.
SE ELE ESTIVESSE PREGANDO OU PROMOVENDO A FAVOR SENDO PERSEGUIDO ISSO SE TORNARIA ESCÂNDALO.
12 Quanto a esses que os perturbam, quem dera que se castrassem!
13 Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade[LIVRES DO PECADO]. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.
Eles não são mais controlados pela carne pecadora -forçados a viver por ela! Contudo, o abuso dessa liberdade forneceria OCASIÃO – OPORTUNIDADE para o pecado recuperar o controle sobre eles
O AMOR É O ELO QUE NOS UNE.
A liberdade para a qual eles foram chamados não devia ser abusada como base de operações para a carne. Pelo contrário, eles tinham de SERVIR UNS AOS OUTROS COMO ESCRAVOS VOLUNTÁRIOS DO AMOR.
ESTA NOVA ESCRAVIDÃO ERA POSSÍVEL ATRAVÉS DOS AMOR (AGAPE). O CONTEXTO REVELA QUE A SIGNIFICAÇÃO DE ÁGAPE É “CLARAMENTE BENEVOLÊNCIA, DESEJO DA FELICIDADE DOS OUTROS, LEVAN-DO A ESFORÇOS PARA O BEM DELES”
14 Toda a Lei se resume num só mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. 15 Mas, se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente.
1João 4:20-21
Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar o seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus ame também o seu irmão.
O amor (agape) que Paulo exorta que os gálatas expressam não é humano; é o amor de Deus e o fruto do Espírito.
Ainda que os mandamentos estejam resumidos no grande mandamento, a lei inteira se cumpre no amor.
ISTO SIGNIFICA QUE TODAS AS EXIGÊNCIAS DA LEI DE DEUS SÃO TOTALMENTE OBEDECIDAS ATRAVÉS DO AMOR.
Está claro que o cristão não está isento das exigências da lei. Deus não pode favorecer os que fazem o que ele proíbe.
ESTA OBEDIÊNCIA NÃO É O MEIO DE OBTER SALVAÇÃO, MAS O RESULTADO DO DOM DA GRAÇA DE DEUS — O ESPÍRITO SANTO.
Vida pelo Espírito
16 Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.
Quando o homem de fé vive e anda pelo Espírito, duas coisas acontecem:
a) A concupiscência (luxúria, “desejos”) ” da carne (pecaminosa) não se cumpre, ou seja, não é satisfeita.’ É porque o homem de fé não vive de acordo com a carne. Paulo descreve vividamente os desejos satisfeitos da carne como “as obras da carne” (19-21).
b) A segunda coisa que acontece quando o crente anda pelo Espírito é o resultado positivo: A vida do crente produz o fruto do Espírito (começando com o amor).
17 Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; o Espírito, o que é contrário à carne.
é a mera descrição de dois modos de vida contraditórios.
Os desejos da carne não serão satisfeitos se o crente andar pelo Espírito, porque a vida pelo Espírito é totalmente oposta ao modo de vida pela carne
ENTÃO CAMINHAMOS COM DUAS NATUREZAS??
Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam.
Antes de Paulo fazer o contraste entre as “obras da carne” e o “fruto do Espírito“, ele adiciona uma observação importante: Para que não façais o que quereis
O texto grego não diz: “Por isso vocês não podem fazer o que vocês querem“), mas para que não façais o que quereis.’
A OPOSIÇÃO DO ESPÍRITO À CARNE É TAMANHA QUE RESULTA EM PROTEÇÃO VITAL PARA O CRENTE QUE ANDA PELO ESPÍRITO.
Ele não precisa fazer o que ele por si mesmo faz.’ Não é que ele seja incapaz de seguir os próprios desejos, mas que ele não tem o poder de segui-los quando são contrários à vontade de Deus.
ISTO SIGNIFICA QUE, QUANDO O CRENTE ANDA PELO ESPÍRITO, OS DESEJOS DO ESPÍRITO SUBSTITUEM OS DESEJOS DA CARNE.
18 Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei.
o termo guiados enfatiza a submissão do crente ao Espírito.
ESTÃO DEBAIXO DA GRAÇA.
19 Ora, as obras da carne são manifestas:
Quando o homem vive de acordo com as paixões e desejos da carne, certos resultados são inevitáveis. Paulo denomina estes resultados de as obras da carne (19),26 expressão importante quando comparado ao “fruto” do Espírito.
Essas obras são manifestas publicamente; são claramente reconhecíveis para que todos vejam o que realmente são.
imoralidade sexual, impureza e libertinagem;
As primeiras três obras dizem respeito à satisfação sexual
Barclay
- “[IMORALIDADE] indica pecado em área específica da vida: a área das relações sexuais;
- [IMPUREZA] indica profanação geral da personalidade inteira, manchando toda esfera da vida;
- [LIBERTINAGEM] indica amor ao pecado tão despreocupado e tão audacioso que a pessoa deixa de se preocupar com o que Deus ou os homens pensam de suas ações”.”
20 idolatria e feitiçaria[pharmakeia];
- relaciona com práticas religiosas pagãs
- “Sempre que qualquer coisa no mundo passa a assumir o principal lugar em nosso coração, mente e propósito, então essa coisa tornou-se ídolo, pois usurpou o lugar que pertence a Deus.”‘
A prática de feitiçarias (pharmakeia) é o uso de bruxaria ou magia na religião.
ódio, discórdia, ciúmes, ira[IRA CENTRADA – EXPLISIVA], egoísmo, dissensões[divisões], facções 21 e inveja;
Relações humanas não-cristãs. As próximas oito “obras da carne” estão no centro da lista de maus hábitos. Todas estas oito obras têm a ver com relações interpessoais.
embriaguez, [GLUTONARIA-orgias(exessos – devasidão] e coisas semelhantes.
Esta lista, de modo algum, é conclusiva.
Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.
22 Mas o fruto do Espírito
fruto do Espírito, se relaciona diretamente às qualidades éticas e morais.”
O Fruto do Espírito”. Ele mostra:
1) Os três elementos do caráter;
2) A unidade do fruto;
3) A cultura da árvore;
4) Este é o único fruto digno.
A escolha de Paulo do termo fruto é importante quando comparado com “obras“.
“Uma obra é algo que o homem produz para si mesmo; um fruto é algo que é produzido por um poder que não é dele mesmo.
O homem não pode fazer o fruto.”‘
é amor,
A palavra grega agape é um termo distintamente cristão, criado da necessidade de descrever adequadamente o evangelho da nova criatura.
os indivíduos têm, ou deveriam ter, uns pelos outros,” que é reflexo do amor de Deus por eles.
alegria, paz,
Os próximos dois frutos do Espírito têm relação vital um com o outro. Gozo (chara) é a “alegria” ou felicidade que irradia da vida do crente — uma expressão externa de paz interior
paciência,
Como Deus é paciente com os homens, então eles são pacientes nele, tanto quanto em relação a seus semelhantes
amabilidade, [benignidade]
A amabilidade de Deus tem o propósito de levar ao arrependimento
Vemos melhor esta amabilidade nos homens quando perdoamos os outros assim como Cristo nos perdoou
bondade,
generosidade sincera que é imerecida,
fidelidade,
FÉ: ação do crente depender totalmente da obra de Cristo.
Fidelidade não diz respeito somente a manter-se fiel a Deus diante das provas e coações, mas também a ser leal ao próximo
23 mansidão
Ser manso não tem a conotação de ser “desalentado, desanimado, mole, fraco ou destituído de energia ou força moral”. Mansidão é a combinação de força e suavidade.’
tratamos todas as pessoas com cortesia perfeita, reprovamos sem rancor, argumentamos sem intolerância, enfrentamos a verdade sem ressentimento, iramos, mas não pecamos, somos gentis, mas não fracos.’
e domínio próprio.
DOMÍNIO PRÓPRIO “autocontrole”
Contra essas coisas não há lei.
24 Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.
Descreve a identificação do crente, pela fé, com a morte de Cristo.” Como resultado direto disso, a carne deixa de ser instrumento do pecado, contra o qual o homem é indefeso e impotente.
A carne já não é uma força irresistível ou compulsiva para o mal no homem.
25 Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.
O Espírito de Deus que habita no crente é essencial para a nova vida do homem de fé
- Espírito divino trabalhando pelo espírito humano (o novo homem interior).
26 Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.
