O Ano Aceitável do Senhor

Começo do Sermão (Introdução e Contexto)

Leitura do Texto Base e Oração O autor convida a abrir a Bíblia em Lucas Capítulo 4, do Versículo 16 até o verso 21. O texto é tomado como ponto de partida e referência. O texto sagrado relata a ida de Jesus a Nazaré, onde entrou na sinagoga e Lhe deram o livro do profeta Isaías. Jesus, abrindo o livro, leu:

“O espírito do senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e proclamar o ano aceitável do senhor” (Lucas 4:18, citando Isaías 61)

Após fechar o livro, Jesus começou a dizer: “Hoje se cumpriu a escritura que vocês acabam de ouvir” (Lucas 4:21). 

Definição do Ano Aceitável do Senhor (O Jubileu) Jesus reconhece que o texto lido (Isaías 61) era uma profecia Messiânica. O tema da mensagem é o ano aceitável do senhor. A declaração “ele me ungiu” indica que Ele é o próprio ungido (Messias no hebraico, Cristo no grego). A expressão “proclamar o ano aceitável do senhor” (Lucas 4:19) é entendida pela grande maioria dos estudiosos como um link direto com um único e grande evento do Antigo Testamento, chamado o ano do Jubileu.

O Jubileu era uma determinação de Deus. Acontecia uma vez a cada 50 anos e envolvia os seguintes princípios:

O Jubileu era um ano de recomeço. O número 5 na tipologia bíblica está relacionado à graça de Deus, sendo uma revelação da grande obra da Graça que Jesus iria realizar. O dia certo para proclamar o Jubileu era os 10 dias do sétimo mês, que era o dia da expiação (Yom Kipur), figurando o que Cristo faria por nós.

O princípio do Jubileu é descrito em Levítico 25:8-13:

“Santifiquem o quinquagésimo ano e proclama em liberdade na terra todos os seus moradores. Esse era um ano de Jubileu para vocês e cada um de vocês voltará a sua propriedade, cada um de vocês voltará a sua família” (Levítico 25:10).

Jesus estava dizendo: “Eu vim proclamar o Jubileu de Deus sobre a vida de vocês”.


Meio do Sermão (Aplicações da Obra de Jesus)

Para entender o que Cristo oferece, é necessário entender o paralelo com o Jubileu. O autor apresenta três pontos de aplicação sobre a obra de Jesus:

Tópico 1: Era um Ano de Libertação Completa

O Jubileu envolvia libertação de pessoas e coisas.

A) Libertação das Pessoas:

  1. Libertação da Escravidão e Devolução à Família: A obra de Cristo não apenas quebra o domínio da escravidão, mas nos introduz de volta no convívio familiar.
  1. Libertação da Dívida (do Pecado): 

A dívida, que no Antigo Testamento era financeira, tem uma aplicação espiritual em relação ao pecado.

  1. Libertação do Poder do Pecado (Domínio):

Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado (João 8:34).

  1. Libertação da Culpa e Condenação:
  1. Libertação do Domínio do Diabo:

Através do pecado, Satanás nos escravizava.

B) Libertação das Coisas (Restituição): 

O Jubileu era um ano de restituição das posses. A Terra é minha [do Senhor], pois vocês são para mim estrangeiros e peregrinos (Levítico 25:23). Jesus veio anunciar um tempo de restituição.

Tópico 2: Era um Ano Sem Esforço ao Trabalho

Havia um descanso instituído por Deus: seis dias de trabalho e o sétimo de descanso, e seis anos de cultivo da terra e o sétimo ano sabático. O Jubileu era o quinquagésimo ano, ou seja, não se cultivava a Terra no ano de número 49 nem no ano de número 50.

O Sábado como Sombra da Graça:

No Novo Testamento, há discussão se o sábado é uma ordenança. Paulo trata o sábado como “sombra das coisas que haviam de vir (Colossenses 2:16-17). A lei não tem a imagem exata, mas é a sombra de bens vindouros 

(Hebreus 10:1). O sábado, na verdade, figura uma manifestação da Graça de Deus.

Paulo ensina que, sobre a distinção de dias, “cada um tenha opinião bem definida na sua própria mente” (Romanos 14:5), indicando que não há um mandamento que obriga a guardar um dia específico.

A Provisão da Graça:

No período de dois anos sem plantio, Deus prometeu que enviaria Sua bênção no sexto ano:

“Lhes darei a minha benção no sexto ano para que a terra produz o suficiente para três anos” (Levítico 25:20-22).

A mensagem por trás disso é o princípio da Graça.

Tópico 3: A Necessidade de um Proclame

Jesus diz: “Eu vim proclamar o ano aceitável do senhor”. O Jubileu exigia um proclame:

“Farão soar a trombeta no dia da expiação… e proclamem liberdade na terra todos os seus moradores (Levítico 25:9-10).

O Poder do Conhecimento:

O ano tinha que ser anunciado porque as pessoas da antiguidade poderiam se perder na contagem. Se a pessoa não soubesse, não poderia desfrutá-lo.

A Responsabilidade de Anunciar:

A palavra de Deus precisa ser anunciada e a mensagem do Evangelho compartilhada.


Fim do Sermão (Conclusão e Aplicação Pessoal)

A Liberdade Exige Conhecimento:

O autor compartilha uma ilustração de Charles Spurgeon sobre uma senhora de idade que morria de desnutrição, mas tinha pendurado na parede, em uma moldura, um documento que era o testamento de uma patroa, o qual lhe dava direito a uma casa e dinheiro. A mulher não sabia ler. 

Não adianta você ter direito a algo e não conhecer.

Assim como a mulher analfabeta não desfrutou da herança por ignorância, muitos não desfrutam daquilo que lhes pertence em Cristo.

A Escolha de Sair da Prisão

Apesar de tudo que foi disponibilizado, só é livre quem quer.

Chamado Final e Oração

O ano aceitável do Senhor não só foi concretizado, mas Jesus veio para proclamá-lo: libertação de pessoas, libertação das coisas, o ano do favor de Deus, que se entra não por mérito, mas por graça.

A proclamação não gera apenas conhecimento intelectual, mas sim a resposta de fé necessária para desfrutar.

O autor encerra com uma oração: Pede que o Senhor ilumine os olhos do entendimento para que cada pessoa possa usufruir da sua libertação completa, entendendo que isso não depende de mérito, mas da capacidade de crer. Ora pelo despertamento da nossa responsabilidade de proclamar a outros, fazendo alarde e barulho para todos os moradores da terra, para que a verdade não seja guardada em silêncio. Pede que o Espírito da Verdade desperte a fé para que cada um escolha passar pela porta aberta da prisão, escolher usufruir a liberdade completa que o Senhor nos proporciona.

Pr. Marccel Toniote